ESCOLA NORDESTE > ARTIGOS > NÃO CURTIMOS ESSA ONDA!

Não curtimos essa onda!

Escrito po: Paulo de Souza Bezerra, secretário de Juventude da CUT-PE e coordenador pedagógico da Escola NE da CUT

07/06/2013

Estamos acompanhando nesse período, estados e municípios, criando leis que autorizam a internação compulsória de usuários de drogas. Nós, da Juventude da CUT-PE, somos contrário a esse tipo de tratamento, pois  experiências mostram que a internação compulsória não resolve, obrigando o internamento do indivíduo, passando por cima de um fator fundamental para o tratamento que é o convencimento do mesmo.

Acreditamos que o papel do Estado seja o de buscar alternativas que levem a melhor compreensão e abordagem das pessoas que fazem o uso de drogas. A internação compulsória inverte esta lógica, invés de um tratamento de forma humanizada para livrar o usuário da dependência, obriga o tratamento imposto pelo poder público.

Não existe nada de humanizado na proposta de internação compulsória, pois o usuário não escolhe o tipo do tratamento, as condições que ele vai passar e o tempo que vai se submeter a esse tratamento. Mas a forma de defesa disfarçada para justificar o Projeto de Lei se dá através da mídia que usa seu poder de influência para vendê-lo a sociedade de maneira mentirosa, tendo em vista que não trata a questão como de saúde pública e, sim, como criminosos.

Vemos que ações como internação compulsória, redução da maioridade penal, criminalização dos movimentos sociais, ataques a programas sociais do governo federal, homofobia e machismo, dentre outras ações, estão ligadas a um processo de “higienização social” de áreas de nossas cidades, principalmente onde vão acontecer grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, um verdadeiro ataque aos direitos humanos.

Nesse sentido, é importante salientar que a internação compulsória faz parte da estratégia de criminalização da pobreza, que não enfrenta as reais causas dos problemas relacionados ao abuso de drogas, como problemas econômicos e sociais, desajustes familiares, entre outros. Entendemos que esta medida vai aumentar ainda mais os problemas das pessoas que fazem uso abusivo de drogas, agregando aos problemas que elas já tem: o isolamento e os estigmas sociais. A juventude pobre e negra, serão, certamente as maiores vítimas desta medida.

Além disso, existem intenções camufladas de desestruturação do SUS, pois o interesse das comunidades terapêuticas, de caráter religioso, defensoras da internação compulsória e que são instituições privadas - em sua maioria com precárias condições de higiene e com métodos, no mínimo, questionáveis de tratamento, onde o usuário é visto como mais um número, uma fonte de renda – e por isso torna-se mais interessante ser mantido internado a receber alta, é exclusivamente o lucro.   

No entanto, o que precisamos são de políticas que sejam construídas de forma setorial e articulada que possibilite a descentralização das ações e principalmente que estabeleça parcerias com a comunidade cientifica e as organizações sociais, para que possamos construir um diagnóstico situacional, sobre o consumo de drogas, seu impacto nos diversos domínios da vida da população e as alternativas existentes. Este diagnóstico vem se consolidando, por meio de estudos e pesquisas de abrangência nacional, na população geral e naquelas específicas que vivem sob maior vulnerabilidade para o consumo e o tráfico de drogas. Outro ponto importante é a capacitação dos atores sociais que trabalham diretamente com o tema drogas, e também de multiplicadores de informações de prevenção, tratamento e reinserção social. Esse esforço tem permitido a formação e a articulação de uma ampla rede de proteção social, formada por conselheiros municipais, educadores, profissionais das áreas de saúde, de segurança pública, entre outros. Esse sim seria o papel da Politica sobre Drogas, uma verdadeira politica de redução de danos.

  • Imprimir
  • w"E-mail"
  • Compartilhe esta noticia
  • FaceBook
  • Twitter

Conteúdo Relacionado

TV CUT
RÁDIO CUT
banner lat 20 ano FACEBOOK TWITTER

Escola de Formação Nordeste